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domingo, 4 de novembro de 2012

JUSTIÇA E INJUSTIÇA.



Não nos devemos conformar com a injustiça. A justiça é melhor do que a injustiça, verdade tão antiga e óbvia como Platão a enunciou, mas que importa ir lembrando, pois, por vezes, quanto maior é a evidência, maior o esquecimento. 

Mesmo que a democracia onde a possamos defender seja frágil, falível, em deriva oligárquica, ou até precária, só aí é possível a liberdade e a justiça social, uma liberdade que não tem que ser temida, uma justiça social que deve pelo menos ser respeitada e humanista, que se não puder ser a ideal, que seja a possível, mas que continue sempre como um objetivo da nossa sociedade. 

Não devemos acumular mais amargura e desilusão pela justiça, nem podemos ficar indiferentes à impunidade, à corrupção e à injustiça que muitos querem afirmar como regra e fado inelutável. Temos de procurar a mudança.

A justiça é instrumento de emancipação e de iluminação. Não passou o tempo da emancipação, o de viver com igual dignidade e direitos num mundo que fatalmente permanecerá desigual, mas em que o esforço de fazê-lo menos desigual valerá a pena. Ainda que pareça utópico, é isso que nos faz caminhar, é isso que, sem descanso, devemos ambicionar.

Rui Cardoso, Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público

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