Páginas

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

TWITTER É ALVO DA OAB.

OAB prepara ofensiva contra racistas do Twitter



A OAB de Pernambuco não gostou nem um pouco da avalanche de racismo que atingiu o Twitter após as eleições. O tema surgiu com força com o tuíte da estudante de direito Mayara Petruso, que pedia aos paulistas que afogassem um “nordestisto”. O que se viu a partir daí foi pior do que horário político. Milhares de mensagens racistas e xenófobas foram publicadas, para todos os lados possíveis. Hoje, a OAB-PE entrou com um representação criminal na Justiça de São Paulo contra Mayara. E já avisou que a caça não se limitará à garota.

A representação da OAB-PE não será leve com a estudante: ela será acusada de racismo e incitação pública de prática de crime – no caso homicídio – e na soma de tudo pode pegar até cinco anos e meio de prisão. O caso levanta uma questão interessante: o que você escreve no Twitter, numa conta aberta, é público e pode ser usado contra você? Tudo indica que sim, e é uma forma de inibir ações xenófobas e racistas nas redes sociais, que dão a sensação de invisibilidade aos usuários. As coisas não são tão simples assim.

Mayara publicou uma mensagem que virou trending topic, mas não é certo que ela tenha começado os xingamentos. Pesou contra ela o fato da exposição e também de ser estudante de Direito. Mas numa rede social onde o Brasil já é o segundo país com mais usuários, é difícil dizer quem começou com as mensagens. Pior: as reações não foram só de revolta, mas sim de apoio, e milhares de mensagens racistas pulularam no Twitter. Questionado se Mayara seria a única que receberia uma notícia-crime, Henrique Mariano, presidente da OAB-PE, afirmou ao IDGNow! que outras pessoas podem receber notificações no decorrer do processo. Mas nós sabemos que será difícil ir atrás de cada cidadão que escreveu algo contra os nordestinos.

Nos anos de glória de sua rede social, o Google e o Orkut receberam centenas de notificações que envolvem racismo e xenofobia nas comunidades do site. Era uma questão de tempo até atitudes assim chegarem ao Twitter, dada a invasão de brasileiros. Independente da sensação de invisibilidade e de impunidade que a internet pode gerar, fica claro que o problema nesses casos não tem muito a ver com as ferramentas online em si, mas sim na educação que boa parte de nós não sabe usar. O buraco é muito mais embaixo.

O Globo
03 de Novembro de 2010

Nenhum comentário:

Postar um comentário