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domingo, 24 de janeiro de 2010

POLITICOS MIGRAM PARA O TWITTER, MAS NÃO O USAM DIREITO

Já virou lugar comum dizer que o Twitter terá um papel fundamental na campanha eleitoral brasileira em 2010, repetindo e ampliando o que aconteceu nos Estados Unidos na eleição de Barack Obama. Por conta dessa máxima, os políticos brasileiros migraram em peso para o microblog desde o ano passado. Afora o hype, no entanto, ainda são poucos os que sabem usar a ferramenta.

Os números são superlativos. Na última sexta, o perfil Twiticos (@twiticos), especializado justamente em seguir os perfis ligados a políticos e a partidos, certificando sua autenticidade, tinha em suas listas mais de 900 políticos cadastrados. Eram 271 deputados federais, 207 perfis ligados a partidos, 131 vereadores, 111 deputados estaduais, 56 senadores, 11 ministros e seis governadores.


Dos quatro principais candidatos a presidente da República, só a ministra Dilma Rousseff (PT) ainda não tem perfil oficial no Twitter, embora existam vários alimentados por seus simpatizantes --e perfis falsos criados por opositores.

O tucano José Serra é o mais ativo entre os outros três, seja em número de seguidores, seja em presença na rede. Na sexta, o número de seguidores era de 156.243. Com posts quase sempre de madrugada, o governador de São Paulo mescla divulgação de sua agenda e de obras da gestão a comentários pessoais sobre filmes, músicas e personalidades públicas.

O deputado Ciro Gomes (PSB), com 6.426 seguidores na última sexta-feira, começou em ritmo acelerado no Twitter, mas foi perdendo o fôlego. O último de seus singelos 25 tuítes foi em dezembro.

A senadora Marina Silva e seu partido, o PV, estão na vanguarda da definição das redes sociais como espaço privilegiado para a campanha, já que ela terá direito a um espaço bastante reduzido no quinhão da propaganda eleitoral gratuita.

Sua presença no Twitter, no entanto, ainda está aquém do discurso sobre o papel estratégico da ferramenta. Com quase 3.000 seguidores na semana passada, Marina não tuíta desde novembro de 2009.

Os silêncios prolongados são apenas um dos pecados que os políticos brasileiros ainda cometem no Twitter. Há os que delegam a tarefa de postar a assessores, o que fica visível seja pelo uso da terceira pessoa, seja pelo tom de "release".

Existem ainda os que tentam driblar a exigência de 140 caracteres fracionando um texto longo em vários tuítes, o que entope a timeline dos seguidores e não cumpre o papel de uma comunicação ágil e direta.

Por fim, poucos exploram todo o potencial do Twitter, lincando para textos de interesse, vídeos e conteúdo extra --demanda dos usuários e, aí sim, diferencial na campanha.

VERA MAGALHÃES - editora de Brasil da Folha de S.Paulo