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terça-feira, 21 de outubro de 2008

Caso Eloá

Prezados Pais:
Quero ocupar-me deste espaço, desse meio de comunicação, e compartilhar um momento de reflexão sobre o episódio ocorrido em Santo André-SP, sem criar nenhum tipo de polêmica ou algum sentimento semelhante.
Assim como eu, esta mensagem se destina a todos os pais. O fato policial que ocorreu na cidade de Santo André poderia ter ocorrido com qualquer um de nós que tenha uma Eloá em casa, ou seja, que tenha uma filha adolescente.Não faltam explicações sobre o desfecho da ocorrência.
Algumas explicações mais técnicas, outras nem tanto, outras ainda que vagam no campo das conjecturas, tais como: e se fosse feito assim, e se fosse dessa forma... .Todos nós, policiais, sabemos que só quem participa efetivamente de uma ocorrência policial, que está no local do fato, é que tem melhores condições e discernimento para avaliar o momento certo agir ou não.
O concurso de diversos fatores contribuiram para o trágico desfecho. Mas um dos fatores me chamou mais a atenção e para ele que direciono minha reflexão, e por conseguinte convido-os a refletir também.
Me chamou atenção foi a diferença de idade entre a vítima e o autor, conforme as informações jornalísticas, eles se conheceram quando a jovem tinha 12 anos e o ¨assassino¨ 18 anos. Esse relacionamento teve a anuência dos pais da jovem.
Pode não representar muito essa diferença, mas doze anos para uma jovem é o começo de tudo, é a idade do descobrimento que coincide com a transformação que o próprio corpo adquire.
Ao passo que aos dezoito anos esse processo continua em desenvolvimento, geralmente nesta idade já temos uma estrutura física completamente formada, mas em regra a estrutura psicológica não. Com o passar da idade a vida vai nos conduzindo a situações que nos levam a perdas, por uma seqüência cronológica natural...é a perda dos avós, dos pais, da esposa ou esposo e por fim a pior delas: a perda de um filho.
Não tenho a pretensão de explicar a atitude do assassino e tampouco justificar o crime que cometeu, mas com certeza ele não tinha a estrutura psiquíca para sofrer, quem sabe, a primeira grande perda, que era o fim do relacionamento entre eles.
Então, o que fazer Srs. pais, quando temos uma jovem Eloá em nossas casas? Acredito que a resposta encontra-se em três perguntas muito simples e que devemos nos fazer todos os dias:
1-Onde vc está ?
2-Com quem vc está ?
3-Como vc está?
Se nós, os pais, conseguirmos responder a essas três perguntas, com certeza poderemos colocar a cabeça no travesserio e dormir um pouco mais tranqüilos. Este é o meu pensamento
Um forte abraço.